WANDERLEY NOGUEIRA
Com palavras diferentes, Felipão e Parreira pediram o apoio dos torcedores para a Seleção Brasileira.
Reconheceram um fato inquestionável: é fria a relação entre o time e a arquibancada.
As vaias têm apenas alterado a intensidade, dependendo da região onde o jogo estiver sendo realizado.
No Brasil ou no exterior o futebol da Seleção não tem arrancado suspiros.
Claro, é louvável a pretensão de conseguir o reatamento time/torcida.
Mas o abraço apertado depende só da Seleção.
O público não vai ao estádio para ofender o time.
Ninguem se posta diante da televisão com o desejo de esculhambar a equipe.
Quem vai ou assiste chega com a esperança de ver o time dar espetáculo merecedor de aplauso.
Não conheço nenhum espectador que vai assistir ao Andrea Bocelli com a disposição de vê-lo desafinar.
Aplauso requer retribuição.
Torcedor que ama a Seleção quer ser amado em retribuição.
Faz tempo a Seleção não tem mostrado, com futebol, o dom da retribuição.
Tomara que Felipão/Parreira consigam fazer a Seleção jogar um futebol que, no tropeço ou na festa, provoque afeto.
Hoje, a Seleção tem oferecido muito pouco e tem recebido negação, nas mais variadas medidas.
No futebol não funciona aquela mensagem: faça e nunca espere retribuição.
A torcida dá chance e espera coisa boa.
E, faz anos, só recebe decepção em troca.
A temperatura afetiva foi caindo e em alguns momentos beirou uma verdadeira geleira.
Felipão e Parreira prometem fazer o País empurrar a Seleção.
Mas o time precisa mostrar que merece ser ajudado.
É uma questão de retribuição…

