WANDERLEY NOGUEIRA
É bom conversar reservadamente com muitos treinadores.
Você, certamente, sabe que o trabalho numa equipe é muito mais importante durante o período de treinamento do que no dia da partida.
Pouco adianta um treinador ficar gritando a margem do campo.
Mas não é só isso. É preciso administrar o grupo.
Em muitas vezes a dificuldade para atingir metas não é carência técnica.
Detectar um desmotivado destrutivo é fundamental.
Um desmotivado pode acabar com o time.
Fala pelos cantos que o clube, não presta e critica colegas e dirigentes.
Tenta jogar uns contra os outros.
Maltrata a interrelação, deixa de cumprir regras e cria situações de conflito interna e externamente.
Existem, também, desmotivados que atingem determinado grau de insatisfação que passam a se rebelar e provocam desordem e prejuízo.
A chance de “contaminar” outros atletas é enorme.
Quando o treinador tem atitude de indiferença e tolerância com jogadores arrogantes, a unidade do grupo vai definhando.
A presunção desses integrantes da equipe tira toda a graça do trabalho.
O jogador ideal é aquele que apresenta bom desempenho e cultiva valores positivos.
O mais difícil de resolver, porém, é o presunçoso com bons resultados.
Esse tipo de pessoa costuma ser, no mínimo, arrogante.
Quase todos são solitários e frios.
O treinador experiente sabe que esse tipo de atleta prejudica o time mais do que se possa imaginar.
Quase sempre o chefe sente-se impotente para solucionar a situação. Acha que o tempo resolverá o problema. O mundo real mostra que muito raramente isso acontece.
Esse modelo de personagem atrapalha muito, mesmo sendo craque.
Aqueles que tem valores que ajudam o time - em todos os momentos - devem ser elogiados e recompensados.
É preciso que o desmotivado destruidor sinta-se um estranho no ninho.
Deixá-lo como um jogador de camisa vermelha, sentado no banco de reservas do time de camisa branca. Fora de lugar.
Quando um clube se livra de um jogador com esse perfil precisa deixar claro ao restante da equipe os motivos da saida.
Todos os demais compreenderão que o comportamento arrogante tem um preço alto.
Há aqueles que são capazes na função e que tem um mau comportamento, incrivelmente sutil.
Tê-los na equipe é um negócio terrível.
Como treinador não costuma ficar muito tempo no emprego, evita confrontos. Deixa como está.
A diretoria, para não desvalorizar o “produto”, nem toca no caso.
E a instituição? Ladeira abaixo, rápida e lentamente.
Não necessariamente nessa ordem.
