WANDERLEY NOGUEIRA
Faz tempo que o Judô faz sucesso.
Em Munique 1972, Chiaki Ishii ganhou a primeira medalha em Jogos Olímpicos.
Em 1988, quando Aurélio Miguel ganhou a medalha de ouro em Seul , o país chorou de emoção.
Ninguém deixou de se emocionar quando o Jornal Nacional mostrou o judoca no pódio com a medalha, ouvindo o Hino Nacional e vendo a Bandeira Brasileira sendo hasteada.
Nos meses que se seguiram, em todo o Brasil, pais e mães levaram seus filhos para as academias de judô mais próximas de suas casas. Orgulhosas, as crianças vestiam seus quimonos diariamente.
O tempo passou e muitas outras conquistas foram conseguidas pelo Judô.
Hoje, o Judô lidera o número de medalhas brasileiras em Jogos Olímpicos.
Mas , sempre com o esforço dos atletas, treinadores, pais e alguns clubes. Acabou o período ditatorial Mamede na Confederação Brasileira de Judô (CBJ) e os dirigentes continuam tentando profissionalizar a modalidade. É óbvio que as coisas melhoraram, mas estão muito longe do ideal.
Já ficou claro que garotos e garotas “tem jeito para o judô” .
Mas os responsáveis pelo esporte no Brasil preferem apoiar os atletas , apenas em períodos específicos.
E mesmo assim, só judocas competitivos e já formados na modalidade. As grandes empresas patrocinam atletas campeões ou com grandes chances de medalhas e vitórias. Claro, é uma boa e indispensável retaguarda.
Toda escola pública no Brasil deveria ter tatames e professores para a iniciação ao judô.
O esporte pode ser praticado pelas crianças até em salas escolares improvisadas. Sempre há um espaço para os primeiros passos.
Não é preciso, necessariamente, tijolos, cimento, areia para massificar o judô nas escolas.
E talvez, por esse motivo, as autoridades não se interessem em aproveitar o talento do brasileiro para o judô.
Todo mundo sabe que autoridade adora uma obra… e de preferência uma mega obra.
