Wanderley Nogueira
Eis o que disse o presidente do Santos, Luis Alvaro Ribeiro, logo após a FPF definir que Santos e Guarani jogariam suas partidas no Morumbi, ao site da entidade:
“Os motivos apresentados pelo presidente Marco Polo sensibilizaram a nós, presidentes. Há uma preocupação com o conforto dos torcedores, verdadeiros donos do espetáculo, que é aquele que com sua fidelidade propicia recursos aos clubes para que mantenham equipes competitivas como Guarani e Santos”.
É óbvio que Santos e Corinthians é um jogo muito mais importante e encorpado.
Ainda mais se tratando de uma fase tão importante da Taça Libertadores.
Não vou abordar aqui outro aspecto indiscutível: muito mais dinheiro para o Santos.
Nem vale lembrar nesse espaço que seria mais uma oportunidade do Santos (mandante) levar mais de 50 mil pessoas ao estádio.
Há muito tempo o Santos deixou de ser apenas da cidade de Santos. É um time forte, desafiado e desafiador. Tem o melhor jogador do país e sua torcida, dizem os dirigentes, cresceu nos últimos anos.
Quem já não ouviu o presidente do Santos dizer que “hoje, temos um time que é forte para jogar em qualquer estádio do mundo”? .
Em São Paulo, é enorme o reduto de torcedores santistas. Além, claro, daqueles que se deslocam de qualquer lugar para ver de perto o seu time. Ainda mais quando o jogo é importante…
Se naquele jogo contra o Guarani houve, segundo o discurso, preocupação com o conforto dos torcedores e o jogo ocorreu no Morumbi, não me parece que agora tenha existido o mesmo zelo.
O presidente do Santos é um homem inteligente e hábil com as palavras.
Na decisão contra o Guarani, quando alguém disse que Campinas era mais longe que Santos, ele recorreu aos seus conhecimentos meteorológicos: “nós também teremos dificuldades, enfrentaremos a neblina na Serra do Mar”.
Talvez, o principal motivo para deixar de levar uma multidão ao Morumbi (algo raro nos nosso dias) no jogo contra o Corinthians quando será mandante e terá imensa maioria nas arquibancadas seja mesmo a neblina na Serra do Mar.
Só pode ser isso.
E não deu tempo para o presidente Laor explicar os vários tipos de neblina.
Tem neblina para todos os níveis de preocupação:
Neblina noturna máxima; Neblina noturna média;Neblina diurna com visibilidade ao céu; Neblina média diurna sem visibilidade ao céu; Neblina máxima diurna sem visibilidade ao céu; Neblina grossa.
E nunca se sabe, há sempre o risco de surgir nevoeiro, que é muito pior.
A diferença entre nevoeiro e neblina (também chamada de cerração ou névoa) é a visibilidade. O fenômeno é chamado neblina (ou névoa) se a visibilidade for superior a um quilômetro, e nevoeiro, se a visibilidade for inferior a um quilômetro.
Perder a chance de mostrar de todas as maneiras o tamanho atual do Santos, só pode ser temor da neblina.
Mas, o presidente Luis Álvaro pode ter certeza que nos dias de hoje quem é temido é o Santos.

