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A mentira do cofre cheio

Publicado às 19:23 65 comentários
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André Portugal/Vipcomm)

Repatriado em 2011, Ronaldinho sofre com salários atrasados no Flamengo (Crédito: André Portugal/Vipcomm)

Wanderley Nogueira

Recuando apenas alguns meses no tempo, ouvimos e assistimos discursos parecidos sobre “o novo momento financeiro do futebol brasileiro”.

Estão lembrados? Vários cartolas entusiasmados disseram que “agora é possível segurar os grandes jogadores” e outros passaram para o estágio do delírio: ” e agora será possível repatriar ou contratar grandes jogadores”.

Muita gente boa acreditou nisso.

Quando a CBF articulou para implodir o Clube dos 13, outra vez acompanhamos o discurso ilusório: “os clubes ganharão milhões e milhões e a TV vai bancar tudo. Os cofres dos clubes ficarão recheados”.

É certo que, corretamente, a TV pagou um bom dinheiro para os clubes. Fez mais: antecipou receitas de quase todos e já mandou o recado que de agora basta de receber cotas antecipadas.

Mas, entregar um cofre cheio de dinheiro para péssimos gestores é pedir para a raposa cuidar das galinhas.

Vários grandes clubes brasileiros estão sem nada em caixa. Pior: devendo milhões de reais para credores de muito tempo.

Além disso, salários atrasados e todas as demais responsabilidades de empregadores anotadas no gelo.

Jogadores ameaçam greve branca e se negam a seguir para a concentração, tentando pressionar para que os salários sejam pagos.

Ouvi, algumas horas atrás, de um antigo segurança de um clube grande a seguinte revelação: “sabe, chegamos a torcer para que o time não ganhasse aquele clássico no fim do ano. O presidente tinha prometido um dinheirão para cada jogador. Já estávamos com os salários atrasados e, se ele pagasse aos atletas , a nossa chance de receber seria zero. O time perdeu, ele não pagou nada aos atletas e até agora não acertou a nossa vida…”.

Algumas contratações caras foram feitas nas ultimas semanas e com salários irreais.

É a chamada multiplicação dos pães: vários clubes estão sem dinheiro e com dívidas  que jamais serão pagas  e continuam cavando o poço da irresponsabilidade.

Procuram empréstimos bancários (e as portas não estão se abrindo) ou parceiros/investidores e sabem que quase sempre esse tipo de comprometimento não acaba bem.

E os clubes que fizeram “grande esforço” para segurar seus principais jogadores dizem em público que valeu a pena e nos bastidores choram a falta de compradores.

O discurso anunciando um novo momento e o cofre cheio, não passou de mais uma enganação.