Wanderley Nogueira
O professor Marcelo Bielsa sairá da seleção chilena sem ter vencido o Brasil.
Teve seis oportunidades e não conseguiu. Não por ele… porque a ideia é boa.
Futebol ofensivo, rápido e atrevido.
Mas, não tem jogadores para isso.
Ele tem insistido nisso, é o seu jeito, não sabe ver futebol de outra maneira.
É chamado de “louco” pelo comportamento estressado, pelo caminhar inquieto a frente do banco de reservas.
É considerado “louco” pelos analistas que não suportam um time atacando muito.
Tem vencido muito mais do que o Chile habitualmente vencia, mas tem sofrido derrotas que tornaram-se um grande espinho na garganta.
O Chile é freguês histórico do Brasil e com Bielsa não mudou nada.
O professor Dunga está cansado de ganhar do treinador argentino. Dunga, adorou que Bielsa continuou “louco”.
Facilitou as coisas para a Seleção Brasileira.
O Chile foi o adversário dos sonhos para Dunga.
Os chilenos atacaram a Seleção sem ter qualidade suficiente para fazer gols.
Insistiam atacando, sem poder de penetração, deixando aberto o meio campo, com frágil marcação sobre os jogadores brasileiros.
A “loucura” de Bielsa foi explorada pelo Brasil.
O treinador é considerado “anormal”, pelo conceito de futebol ofensivo que ele adora.
Há muitas loucuras que não são bem compreendidas.
A loucura amorosa, loucura poética, rituais e danças loucas, por exemplo.
Para Bielsa, certamente, ele não é “louco”.
Para ele, jogar ofensivamente tem lógica própria. Deve pensar que em uma modalidade esportiva cuja meta é fazer gols, é preciso atacar muito.
“Louco” para muita gente, mas para ele, imagino, loucos são os outros que jogam encolhidos e tateando espaços em campo.
Como técnico, Bielsa tem um comportamento completamente diferente do padrão.
É chamado de irresponsável pelo fato de mandar o seu time atacar. É um “suicida da bola”. Um “louco”…
É, na visão dos conservadores, um insensato. É um atrevido desproporcional;
É um “maníaco” um “louco por futebol aberto”.
O seu grau de “loucura” aumenta ainda mais quando não tem em mãos um time capaz de “entendê-lo”.
O Brasil soube aproveitar a “loucura” de Bielsa.
Acho até que Bielsa já pensou eu mudar o estilo do time que dirige.
Transferir para um outro “maluco” esse tipo de missão que assumiu na vida.
Mas, deve ter olhado para bola e lembrado do refrão de um samba:
“Eu não sei se a transferência
Não consigo elaborar
Eu só sei que tem demência
No nosso jeito de amar ”
E aí ele resistiu e preferiu continuar “louco”.
O Brasil aproveitou a loucura de Bielsa.

