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O Brasil aproveitou bem a “loucura”

Publicado às 20:36 68 comentários
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AP

Luís Fabiano dribla goleiro e marca o segundo gol. Crédito: AP

Wanderley Nogueira

O professor Marcelo Bielsa sairá da seleção chilena sem ter vencido o Brasil.

Teve seis oportunidades e não conseguiu. Não por ele… porque a ideia é boa.

Futebol ofensivo, rápido e atrevido. 

Mas, não tem jogadores para isso.

Ele tem insistido nisso, é o seu jeito, não sabe ver futebol de outra maneira.

É chamado de “louco” pelo comportamento estressado, pelo caminhar inquieto a frente do banco de reservas.

É considerado “louco” pelos analistas que não suportam um time atacando muito.

Tem vencido muito mais do que o Chile habitualmente vencia, mas tem sofrido derrotas que tornaram-se um grande espinho na garganta.

O Chile é freguês histórico do Brasil e com Bielsa não mudou nada.

O professor Dunga está cansado de ganhar do treinador argentino. Dunga, adorou que Bielsa continuou “louco”.
 
Facilitou as coisas para a Seleção Brasileira.

O Chile foi o adversário dos sonhos para Dunga.

Os chilenos atacaram a Seleção sem ter qualidade suficiente para fazer gols.

Insistiam atacando, sem poder de penetração, deixando aberto o meio campo, com frágil marcação sobre os jogadores brasileiros.

A “loucura” de Bielsa foi explorada pelo Brasil.

O treinador é considerado “anormal”, pelo conceito de futebol ofensivo que ele adora.

Há muitas loucuras que não são bem compreendidas.

A loucura amorosa, loucura poética, rituais e danças loucas, por exemplo.

Para Bielsa, certamente, ele não é “louco”.
 
Para ele, jogar ofensivamente tem lógica própria. Deve pensar que em uma modalidade esportiva cuja meta é fazer gols, é preciso atacar muito.

“Louco” para muita gente, mas para ele, imagino, loucos são os outros que jogam encolhidos e tateando espaços em campo.

Como técnico, Bielsa tem um comportamento completamente diferente do padrão.

É chamado de irresponsável pelo fato de mandar o seu time atacar.  É um “suicida da bola”. Um “louco”…

É, na visão dos conservadores, um insensato. É um atrevido desproporcional;

É um “maníaco” um “louco por futebol aberto”.

O seu grau de “loucura” aumenta ainda mais quando não tem em mãos um time capaz de “entendê-lo”.

O Brasil soube aproveitar a “loucura” de Bielsa.

Acho até que Bielsa já pensou eu mudar o estilo do time que dirige.

Transferir para um outro “maluco” esse tipo de missão que assumiu na vida.

Mas, deve ter olhado para bola e lembrado do refrão de um samba:

“Eu não sei se a transferência
Não consigo elaborar
Eu só sei que tem demência
No nosso jeito de amar ”

E aí ele resistiu e preferiu continuar “louco”.

O Brasil aproveitou a loucura de Bielsa.