O blog tem o poder de revelar claramente o que pensam as pessoas. Opiniões contrárias e favoráveis. Tudo isso é mostrado diariamente. Muitos leitores acham que criticar a Seleção Brasileira é torcer contra. Outros, felizmente, compreendem que há uma enorme diferença entre as duas coisas.
Confesso: sou muito exigente quanto se trata da Seleção do Brasil. Não aceito nada menos do que o melhor. E ganhar, para mim, não é o grande sonho. Quando se trata do selecionado, a minha cabeça dura traduz para “jogar bem, bonito, enchendo os olhos do mundo”.
Já li comentários irritados: “deixa de ser besta, Wanderley. O que vale é ganhar”. Respeito, mas não consigo aceitar. Até já tentei, mas não dá. Entre tantos momentos importantes, vem à mente 1982. A Seleção foi eliminada, e quando entrei na sala da imprensa internacional, lá na Espanha, vi alguns jornalistas estrangeiros com lágrimas nos olhos, chorando a desclassificação do Brasil. Foi embora a arte, diziam eles.
Em um canto da sala, um repórter africano escrevia a sua manchete: “o leão foi ferido, mas continua rei”.
Isso é o que realmente importa. Uma Copa do Mundo exige o melhor, o mais bonito, o espetáculo inesquecível, o talento, o drible mágico, o gol inacreditável, o conjunto com jeito de balé. Jogo feio a gente vê dia a dia.
Se tiver de escolher entre 23 guerreiros e 23 artistas, opto pela arte, pela leveza, pela inspiração.
Torcer contra a Seleção Brasileira? Nem pensar.
Mas só vou aplaudir se ela jogar bonito, um espetáculo. Se gerar aquela sensação de “que pena! O jogo acabou”. Ganhando ou perdendo.
E se outra seleção mostrar o que eu gostaria de ver nossa, levará o meu coração.
Arte não tem fronteiras.

